Conjuro

Eu sou as trevas por trás e por baixo das sombras.

Eu sou a ausência de ar que espera no início de cada respiração.

Eu sou o fim antes que a vida recomece, a deterioração que fertiliza o que vive.

Eu sou o poço sem fundo, o esforço sem fim para reivindicar o que é negado.

Eu sou a chave que destranca todas as portas.

Eu sou a glória da descoberta, pois eu sou o que está escondido, segregado e proibido.

Eu sou o sombrio, silencioso túmulo; todas as coisas devem vir a mim e suportar a morte e o renascer para o todo.

Eu sou o fogo que beija as algemas e as leva embora.

Eu faço o fraco forte.

Eu faço humilde o arrogante.

Eu ergo o oprimido e dou poderes ao desprivilegiado.

Eu sou a justiça temperada com compaixão.

Eu sou você, eu sou parte de você, estou dentro de você.

A Batalha Etérea



Monte Olimpo. Grécia Antiga. 1600 A.C

Todos estavam sentados em volta de uma grande mesa de mármore branco. Os doze olimpianos estavam discutindo ferozmente sobre algo, e até mesmo Hades que até então habitava somente o submundo fora autorizado a comparecer na assembléia.
- Isso é um ultraje! – Exclamou Zeus, levantando de seu trono. O rei dos Deuses era de forte presença, muito forte e alto e tinha cabelos escuros que iam até a altura dos ombros. Vestia um traje branco e em sua mão direita portava o raio-mestre, a arma mais poderosa dos Deuses. – Como eles podem dizer isso sobre nós? Somos nós quem dominados grande parte do mundo. É a nós que os imperadores reverenciam em troco de poder e glória, e não a eles. – Após terminar a ultima palavra, um relâmpago estridente cortou o céu, fazendo a Terra tremer.
- Talvez haja um mal entendido. Durante milênios nós temos vivido em paz uns com os outros. – Disse Athena, tentando contornar a situação. Era a Deusa da guerra sábia, era alta, magra e tinha um corpo atlético. Seus cabelos castanhos estavam presos em uma longa trança que descia até perto do umbigo. Ela trajava um longo vestido de ceda branca com um cinto metálico na cintura.
- Eles merecem sucumbir pela nossa ira. Somente assim aprenderão quem é que manda. – Poseidon também compartilhava da fúria do irmão. Ele era um Deus forte, com uma grande barba branca, seus cabelos eram ondulados até a altura dos ombros e estava vestido com sua armadura dourada e segurando o tridente que lhe dava poder sobre os mares.
Todos discutiam e gritavam, as muitas opiniões sempre causaram desavenças entre todos os Deuses do Olimpo. Os únicos que se mantinham neutros eram Demeter, a deusa-mãe da terra e Afrodite, a deusa do amor. Hefesto, o ferreiro dos Deuses, que apenas fazia as armas e raramente opinava sobre tais assuntos, agora tomara partido junto com Zeus e Poseidon.
Apolo e Arthemis estavam dispostos a desencadear uma guerra assim que lhes fossem dado permissão, os gêmeos estavam extremamente ofendidos com algo. A Deusa Virgem e o Deus do Sol, também estavam do lado de Zeus.
Athena, Hera, Hermes e Dionísio estavam tentando acalmar os outros Deuses. Eles não queriam que a guerra estourasse, porque tal acontecimento poderia por fim no mundo mortal.
Ares e Hades eram os únicos que até agora não haviam opinado, uma atitude estranha para tais Deuses. Ares sempre fora movido pela guerra e pela violência e Hades sempre estava onde havia algum sinal de maldade.
A discussão continuou, por horas a fio os Deuses tentavam convencer uns aos outros de qual decisão era a certa.
Uma hora, Hades se levantou e fez com que todos se calassem por um momento. Ele olhou para os outros Deuses e deu um sorriso sarcástico como se já soubesse o que fazer.
- Queridos irmãos. – Ele começou suavemente. – Pra que estamos brigando entre nós, se o verdadeiro inimigo está lá fora? Todos sabemos que sozinhos não temos força para vencer os alados. Vamos precisar formar alianças com outros Deuses.
- O que está sugerindo? – Indagou Athena, aterrorizada pela idéia.
- Não vê, sobrinha? Para derrotar os seres com asas, vamos precisar de toda a força do mundo antigo, e isso significa compactuar com outros Deuses que também estão descontentes com a situação.
Um silencio invadiu o salão, todos estavam pensando sobre tal idéia. Até mesmo Athena que raramente era pega de surpresa estava perdida em seus próprios pensamentos. - Que aliados tem em mente? – Zeus quebrou o silencio.
- Sabia que ia perguntar. – Disse Ares, olhando para Hades e depois da Zeus.





Em algum lugar do Plano Etéreo. – Aos Redores da Ilha de Avalon. – 1600 A.C

Em uma floresta verdejante, o cheiro das flores fazia com que os Deuses esquecessem dos problemas que lhes perturbavam. No coração da floresta havia uma grande clareira com alguns tronos de ébano e um grande caldeirão no centro.
Era uma época em que a ilha de Avalon e Arcádia, a terra das fadas, ainda eram próximas. A ilha sagrada ainda não havia se juntado com o mundo material e a terra das fadas não tinha se isolado devido aos acontecimentos futuros.
Em cada um dos tronos de madeira estava sentada uma entidade diferente. Em um deles um Deus com aparência serena e bondosa descansava a cabeça contra o trono, era Dagda, o Deus Bom. Ele era o deus da sabedoria e dos magos. Estava vestido com uma túnica marrom com detalhes dourados, usava um colar de jade verdade e carregava um cajado contorcido com um cristal na ponta.
- O que acha que devemos fazer grande Dagda? – Indagou outra entidade, uma deusa chamada Bright. Ela estava usando com um longo vestido lilás e prateado. Os cabelos louros dourados estavam soltos e caiam em cachos generosos. – Pai...Não podemos continuar desse jeito. – Disse a Deusa com ternura, quase implorando.
- Paciência querida filha, tudo há seu tempo. A nossa era está chegando ao fim, e deve aceitar isso com dignidade, o mundo está mudando e talvez a humanidade não esteja pronta para encarar os mistérios da vida. – Disse o Deus suavemente. – Porém, há algo que devemos fazer antes de deixarmos que as pessoas façam suas escolhas. É verdade que os alados há muito têm abusado do poder e com isso trouxeram muitas tragédias para ambos os lados, o dos Deuses e o dos homens, isso tem que parar.
Todos os outros deuses o olharam curiosos para saberem qual seria a decisão final do grande Deus. Todos eles entenderam aquelas palavras, mas sentiam que não poderiam partir sem antes tentar ajustar as coisas, a falta de limite dos alados tinha passado dos limites.
- Alguém está tentando fazer contato. – Disse Cerridwen, a Grande-Mãe. – Um outro Deus quer nos dirigir a palavra. – A Grande Deusa que até então se manteve calada, tinha uma voz poderosa e autoritária. Seus cabelos longos e ruivos estavam presos por um adorno prateado em forma de lua. Sua túnica era de um branco brilhante que mais parecia que o tecido era feito de minúsculos cristais.
Ela se levantou e foi até o caldeirão. Uma chama verde começou a emergir de dentro dele e em pouco tempo as chamas deram forma a um outro Deus, era Hermes, o Deus mensageiro.
- O que o trás de tão longe Olimpiano? – Disse Cerridwen.
- Venho em nome de todos os Deuses do Olimpo, Senhora. – Hermes sabia o quão grande era o poder daquela Deusa. – Zeus, Rei dos Olimpianos, propôs uma aliança entre nós contra um inimigo maior.
E por um momento a Deusa nada disse, somente fitou Hermes tentando ler-lhe as expressões. Por fim, quando se convenceu de que ele viera com o propósito que dissera ela relaxou.
- És bem vindo aqui Olimpiano. – Disse ela por fim. – Nos diga qual o plano de Zeus.
- Ele quer unir nossas forças para poder deter a imprudência dos alados que estão passando dos limites e desafiando agora até os Deuses antigos. Os Deuses guerreiros juntos podem unir forças contra os exércitos dos alados e pelo que sei, eles não sabem usar a magia como nós, isso também é uma vantagem a nosso favor. Porém, eles são bem mais fortes e numerosos, e é ai que começa nossos problemas...Segundo Athena...- Hermes não pareceu entender muito bem o que acabara de dizer, mas repetira as palavras conforme a Deusa da Guerra dissera a ele.
Nisso um outro Deus tomou frente ao debate, era Lugh, o Brilhante, ele trajava uma armadura prateada e no peito o símbolo da arvore celta estava gravado em dourado na armadura. Era um deus belo, de feições bem definidas e cabelos louros acinzentados.
- É um plano interessante esse que Athena elaborou. – Disse o Deus. – A magia com certeza pode ser uma vantagem para nós, já que os alados negam a existência dela, quais são as outras estratégias que vocês estudaram?
Hermes então organizou uma reunião com todos os Deuses para elaborarem o melhor plano que pudessem.



Céu dos Anjos. – Em um plano paralelo ao etéreo. – 1601 A.C

Miguel, Gabriel, Raphael, Uriel e Samael estavam todos trajados com suas armaduras douradas e segurando suas espadas de batalha. Os cinco arcanjos estavam declarando guerra contra os antigos Deuses que dominavam o mundo.
- Todos organizem seus batalhões. – Disse Muigel, frio e distante. – Estamos prestes a lutar a maior de nossas batalhas contra os Deuses do mundo antigo. – Ele olhou para o horizonte.
Miguel era o maior dos arcanjos. Ele era forte e corpulento, tinha cabelos dor de mel que desciam até os ombros. Sua face era quase sempre séria, ele era um guerreiro e estava sempre pronto para a guerra.
- Eles devem ser vencidos e exilados. – Complementou Gabriel. Esse arcanjo tinha feições meigas, quase que femininas, mas isso não o impedia de ser o segundo no comando. Ele também era conhecido como o arcanjo do fogo por causa de sua espada de lamina vermelha.
Samael e Uriel quase nunca opinavam, apenas seguiam as ordens e concordavam com tudo. Não davam muita importância para o destino do mundo, mas a guerra sempre os excitava.
Raphael era o mais pacifico dos cinco. Sua virtude era exatamente sua maior arma, a paz, a cura e a tranqüilidade. Tinha feições calmas, seus cabelos eram negros e também na altura dos ombros. Seus olhos eram azuis safira, e com eles ele podia hipnotizar qualquer entidade, deixava o oponente num estado de êxtase totalmente vulnerável em batalha. Apesar de não ser fã de guerras, não podia deixar os irmãos numa batalha tão importante.
E assim os cinco arcanjos começaram a guerra contra os Deuses.


Atlântida. – Lugar não identificado. – 1700 A.C

Essa era uma ilha mística assim como Avalon, a diferença era que há tempos atrás ela era habitada por espíritos de luz que construíram ali uma cidade para si próprios, porém os atlantis foram vitimas das artimanhas dos arcanjos que sentiam uma antipatia por aqueles espíritos.
Aquele era um cenário épico e seria o lar de mais uma batalha lendária. Era lá aonde os Deuses e os Arcanjos iriam se enfrentar numa batalha que mudaria o rumo do mundo.
Os cinco arcanjos desceram do céu usando suas armaduras douradas reluzentes seguidos de suas enormes legiões cheias de anjos, querubins, serafins e tronos. Eles pararam quando avistaram seus oponentes.
Ao longe podiam ver apenas alguns deuses e seus exércitos que eram grandes, mas não tão grandes quanto os dos arcanjos.
Lugh, Ares, Athena e Badb, os maiores deuses da guerra, formavam a fila da frente junto com seus exércitos de guerreiros. Todos os quatro deuses estavam usando armaduras prateadas com inscrições douradas, eram símbolos mágicos para proteção e para evitar a morte.
As tropas se olharam por alguns minutos até que o ataque foi declarado. Os exércitos e chocaram dando inicio a uma carnificina nunca vista antes. Muitos morreram e de ambos os lados a briga estava violenta, porém os anjos estavam ganhando em número.
Entre as ruínas, Arthemis e as Caçadoras disparavam flechas prateadas em direção do inimigo, mas mesmo assim a desvantagem era grande. Arthemis, era a Deusa da caça e da noite e como jurara ser virgem para sempre, ela contava com uma comitiva de dezoito donzelas guerreiras que a seguiam em batalha e em companhia. Ela era baixinha e parecia uma adolescente, seus cabelos eram avermelhados e ondulados. Trajava uma roupa de seda branca, presa por um cinto de bronze e calçada de sandálias de couro, diferente dos outros Deuses que calçavam botas. Seu arco era feito do chifre de uma corça branca e suas flechas eram feitas especialmente por Hefesto.
No meio da batalha, uma nevoa negra invadiu a arena cegando a todos. Aos poucos a nevoa densa começou a tomar forma, Morrigan, Hades, Arawn e Perséfone, os Deuses que controlam os mortos apareceram no campo de batalha invocando criaturas monstruosas como o Cérbero, a Hidra e gobblins formados de terra e fogo.
Todos os quatros estavam usando túnicas negras com grandes capuzes, o que dificultava identificá-los.
O banho de sangue seguiu para os anjos que não tinham como se defender de tais criaturas. Um por um, os alados foram caindo mortos no chão.
Vendo aquela artimanha, os arcanjos se irritaram e decidiram partir para o ataque. Os cinco avançaram contra os Deuses e seus monstros e em pouco tempo os monstros haviam sucumbido sob as espadas místicas dos arcanjos.
Novamente os anjos estavam na vantagem, os cinco eram imbatíveis juntos, por isso os Deuses tentaram separá-los afim de enfrentá-los separadamente.
Apolo, apareceu no campo de batalha de repente para dar apoio, mas foi atingido pela espada de Gabriel bem na hora em que se materializara. Ele caiu de joelhos e um grito foi impossível de segurar.
Arthemis, sua irmã gêmea ouviu o grito agonizante do irmão e uma lagrima escorreu-lhe o rosto. A Deusa estava furiosa e ao mesmo tempo desesperada. Puxou uma flecha de prata e mirou bem no coração de Gabriel, com a mira de caçadora, a Deusa disparou a flecha que acertou o alvo em um ponto mortal. Gabriel caiu no chão, suas asas murcharam e a pele começou a ressecar, aos poucos ele se transformou em cinzas.
Uriel e Samael estavam lutando contra Hefesto e suas invenções robóticas. Ares, o grande deus da guerra havia sucumbido ao poder de Miguel, e ninguém pôde fazer nada para ajudá-lo. Athena e Lugh estavam lutando pela própria sobrevivência enquanto Badb desaparecera, provavelmente estava morta também.
Os deuses do submundo invocaram uma medusa, mas seu olhar não era tão poderoso quanto o do Arcanjo Raphael, que sem esforço matou a medusa.
Quando todos estavam quase mortos pela espada de Miguel, três entidades foram vistas se aproximando ao longe, elas vestiam túnicas violetas com detalhes em preto. Suas mãos estavam marcadas por símbolos mágicos que ninguém reconheceu ao longe. Conforme foram se aproximando os outros Deuses reconheceram seus aliados, eram Hecate, Math Mathonwy, e Cerridwen, os Deuses das artes mágicas.
Miguel viu aquelas figuras se aproximarem e começou a enlouquecer. Raphael e Uriel eram os únicos sobreviventes, pois Samael fora morto por Hefesto que fora morto por Uriel. Os dois arcanjos queriam desistir daquela luta, mas Miguel jamais recuaria em combate.
Em vez de esperar, Miguel partiu para o ataque. Ele se esquecera de que era vulnerável à magia. Com apenas um movimento daqueles Deuses, Miguel ficou paralisado ao efeito daquela magia, ele não conseguia avançar nem recuar, estava petrificado.
Os três Deuses entoaram uma invocação a Zeus, Poseidon, Hades, Cernunnos e Dana, os maiores Deuses de seus respectivos panteões.
Nisso o céu se fechou e relâmpagos apareceram no céu, trovoadas começaram a atingir o chão. Cada vez mais eles se intensificaram até que um raio azulado e brilhante rasgou o céu escuro e atingiu o Arcanjo Miguel.
Hecate, Math Mathonwy, e Cerridwen se afastaram, mas não retiraram seu encanto. Miguel agora estava caído no chão, as penas das asas queimadas e armadura trincada no ombro. Ele se levantou e olhou ao redor. Viu Raphael e Uriel retirarem os batalhões da luta e pedirem pelo fim da batalha. Seus sentidos estavam se esvaindo junto com sua aura. Em minutos ele caiu no chão morto e se transformou em cinzas como Gabriel e Samael.
A Guerra havia chegado ao fim.

Algum Lugar do Plano Etéreo. – 1 D.C

Após se recuperarem da batalha, os Deuses decidiram não mais interferir no curso da humanidade. Eles sabiam que o mundo estava passando por mudanças, sabiam que uma nova era estava para começar e outra era estava para acabar.


6 comentários:

James Rocha disse...

Que textinho grande!

Pedro disse...

beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem grande.

றαяo¢α disse...

muito mesmo.

Nessie Araujo disse...

Eu estava procurando um artigo no Google e encontrei teu blog, nem preciso dizer q me encantei por ele neh... Gostaria de divulgá-lo no http://arelli-anjo.blogspot.com
Abraços!!!

Anônimo disse...

Gostei do desenvolvimento deste texto, porem lhe recomendaria pesquisar mais os fatos. Pois o final desta historia foi distorcido.
Lhe recomendo ler livros antigos.

David J.Margarida disse...

Eram cinco arcanjos certo? Mais ao invés Samael não era o arcanjo sombrio, no caso lúcifer